A Virada do Consumidor: Preço Perde Trono Para Valor e Digital no Varejo Alimentar
Uma nova pesquisa detalhada da dunnhumby, divulgada na 5ª edição do Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) 2026, revela uma profunda transformação nos critérios de escolha dos brasileiros ao fazer suas compras em supermercados. Realizado entre fevereiro e abril de 2026, o estudo que ouviu mais de 10 mil consumidores em todo o Brasil e avaliou 46 varejistas, aponta que, embora o preço mantenha sua relevância, a decisão de compra agora é ditada por uma proposta de valor mais abrangente, que engloba sortimento, experiência de loja, eficiência digital e a qualidade operacional geral. Essa mudança impacta diretamente o share of wallet e a performance de crescimento das empresas.
Atualizado em 17 de maio de 2024 • Leitura estimada: 7 minutos
Resumo rápido
- Consumidores brasileiros estão redefinindo suas prioridades, buscando mais do que apenas preço ao escolher onde fazer suas compras em supermercados.
- Varejistas que se destacam pela entrega de uma proposta de valor consistente – combinando variedade, experiência de compra otimizada e soluções digitais eficientes – conquistam maior lealdade e crescimento superior no mercado.
- O futuro do varejo alimentar dependerá da capacidade das empresas de inovar continuamente e integrar canais, respondendo à crescente demanda por conveniência e experiência personalizada.
O que aconteceu

Pesquisa ouviu mais de 10 mil consumidores e avaliou mais de 40 varejistas alimentares em operação no Brasil (Crédito: inspiring.team/Shutterstock)
A 5ª edição do prestigiado Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) 2026, conduzido pela dunnhumby, trouxe à luz uma verdade incontestável: a era em que o preço era o fator quase exclusivo na decisão de compra do consumidor brasileiro em supermercados está chegando ao fim. O estudo, que analisou profundamente 46 dos principais varejistas alimentares em operação no Brasil e coletou insights de mais de 10 mil consumidores entre fevereiro e abril de 2026, mostra que a preferência do público agora é moldada por uma combinação multifacetada de elementos. Os compradores buscam uma proposta de valor holística, onde preço competitivo, variedade de produtos, uma experiência de compra agradável e a presença de soluções digitais eficientes se entrelaçam.
Historicamente, o contexto econômico do Brasil sempre elevou o preço a um status quase soberano nas decisões de consumo, especialmente no setor alimentar, onde a sensibilidade a flutuações de custo é alta. No entanto, o cenário atual reflete uma maturidade do mercado e uma crescente familiaridade com as conveniências da era digital, levando o consumidor a reavaliar suas prioridades. Marcas como Amazon, Assaí Atacadista, Bahamas, Líder, Mart Minas, Mercado Livre, Mundial, Savegnago, Supermercado Nordestão, Supermercados Guanabara e Zaffari foram citadas como exemplos de varejistas que estão conseguindo atender a essa nova demanda, equilibrando com sucesso os diferentes pilares que compõem a percepção de valor.
Ponto-chave
No novo cenário do varejo alimentar, a lealdade do consumidor é conquistada pela capacidade de entregar uma experiência de valor holística, onde a equação vai muito além do custo do produto na prateleira.
Por que isso importa
Essa mudança nas prioridades do consumidor representa um divisor de águas para todo o setor varejista. Para as empresas, entender que o preço, embora fundamental, não atua mais isoladamente, é crucial para a sobrevivência e o crescimento. Isso implica uma reavaliação estratégica profunda, que vai desde a otimização da cadeia de suprimentos para garantir o sortimento desejado, até o investimento em tecnologias que melhorem a experiência de compra online e offline. Há uma janela de oportunidade imensa para os varejistas que souberem inovar, criar diferenciais e construir relacionamentos duradouros com seus clientes baseados em valor percebido.
O leitor deve prestar atenção a este assunto pois ele reflete diretamente a evolução do comportamento de consumo na era da transformação digital. A busca por conveniência, personalização e experiências de compra sem atritos é uma tendência global que se solidifica no Brasil. Empresas que negligenciam esses aspectos, focando apenas na guerra de preços, correm o risco de perder competitividade, share de mercado e, em última instância, a relevância junto ao seu público. É uma questão de adaptação para garantir a sustentabilidade do negócio e a capacidade de inovar em um mercado cada vez mais dinâmico.
Impactos práticos
Para empresas
As empresas precisarão recalibrar suas estratégias, passando de uma mentalidade puramente focada em preço para uma abordagem de valor total. Isso envolve investir em inteligência de dados para entender melhor as preferências dos consumidores, otimizar o mix de produtos (incluindo marcas próprias), aprimorar a experiência na loja e, principalmente, fortalecer sua presença e eficiência nos canais digitais. Decisões sobre expansão, layout de loja e treinamento de equipes também serão afetadas pela necessidade de oferecer um serviço diferenciado.
Para consumidores
O público final será o grande beneficiado dessa evolução. Terão acesso a uma gama mais ampla de produtos e serviços, com experiências de compra mais agradáveis e personalizadas, tanto no ambiente físico quanto no digital. A conveniência de aplicativos de delivery e compras online tende a aumentar, oferecendo mais opções e facilitando o acesso a melhores ofertas e a um sortimento diversificado, tudo isso com mais confiança e agilidade.
Para o mercado
A competitividade no setor de varejo alimentar se intensificará, estimulando a inovação e a diferenciação. Varejistas que não conseguirem se adaptar à nova demanda por valor completo enfrentarão dificuldades. Poderemos ver uma consolidação de players mais eficientes e a ascensão de modelos de negócio que integram perfeitamente o físico e o digital, bem como a manutenção da força de atacarejos e varejistas regionais que já possuem forte conexão com seus clientes.
O cenário daqui para frente
O futuro do varejo alimentar no Brasil será marcado por uma contínua e acelerada digitalização. A expectativa é que o uso de aplicativos de compras e delivery se torne ainda mais onipresente, transformando a jornada do consumidor em algo fluido e sem barreiras entre o online e o offline. Plataformas como iFood, Uber Shopper e Rappi, já líderes, deverão expandir ainda mais sua atuação, enquanto novos entrantes buscarão nichos e inovações para conquistar espaço. A personalização impulsionada por inteligência artificial e a análise de dados do consumidor se tornarão ferramentas indispensáveis para antecipar necessidades e oferecer experiências verdadeiramente únicas.
Essa evolução não é apenas uma questão de tecnologia, mas de estratégia empresarial. O comportamento de mercado aponta para um consumidor que valoriza a agilidade, a conveniência e a capacidade do varejista de entender suas preferências individuais. A inovação não se limitará a novos produtos, mas se estenderá a modelos de assinatura, curadoria personalizada e ecossistemas de serviços que simplifiquem a vida do cliente. A transformação digital, portanto, não é uma opção, mas um imperativo para os varejistas que desejam prosperar nos próximos meses e anos.
O que observar agora
- A crescente integração entre os canais físico e digital dos varejistas, com lojas físicas se transformando em centros de coleta ou hubs de experiência, e aplicativos enriquecendo a visita presencial.
- O investimento contínuo e massivo de grandes e pequenos varejistas em plataformas de e-commerce e aplicativos móveis, bem como em infraestrutura logística para entregas rápidas e eficientes.
- A valorização de produtos de marca própria e a inclusão de sortimentos que respondam a tendências de saúde, bem-estar e sustentabilidade, enriquecendo a proposta de valor além do preço.
Perguntas frequentes
Por que o preço não é mais o único fator decisivo para os consumidores?
A pesquisa da dunnhumby indica que, além do preço, os consumidores valorizam uma combinação de fatores como variedade de produtos, experiência de compra na loja, eficiência dos canais digitais e a qualidade geral da operação. Eles buscam uma proposta de valor mais completa e integrada.
Como a digitalização está mudando a forma de comprar em supermercados?
A digitalização está tornando a jornada de compra mais prática e eficiente, com o aumento da utilização de aplicativos de compras e delivery. Isso oferece aos consumidores maior conveniência, acesso facilitado a promoções e a possibilidade de gerenciar suas compras de forma mais flexível.
Qual o impacto dessa mudança de preferência para os varejistas no Brasil?
Varejistas que conseguem entregar uma proposta de valor consistente, que equilibra preço, sortimento, experiência e digital, estão ganhando maior share of wallet e apresentando crescimento superior. Aqueles que não se adaptam correm o risco de estagnação e perda de mercado para competidores mais ágeis.

