A Revolução da Beleza Digital: L’Oréal e a Força dos Creators na Nova Jornada do Consumidor
Loana Coelho, Chief Digital & Marketing Officer do Grupo L’Oréal no Brasil, revela como a companhia está redefinindo o consumo de beleza no ambiente digital, com foco na “creator economy” e na diversidade. Em meio à ascensão da inteligência artificial e à complexidade da jornada do consumidor, a empresa impulsiona a representatividade através do programa “Beleza Mais Diversa”, combatendo a sub-representação de criadores negros e com deficiência no mercado.
Atualizado em 20 de maio de 2024 • Leitura estimada: 10 minutos
Resumo rápido
- A L’Oréal lidera a inclusão na creator economy com o programa “Beleza Mais Diversa”, capacitando e contratando talentos negros e com deficiência, um movimento crucial frente à sub-representação no setor.
- Criadores de conteúdo redefinem a jornada de compra de beleza, atuando como fontes autênticas e próximas, especialmente para o público negro, influenciando diretamente as decisões e impulsionando a representatividade.
- A inteligência artificial (IA) emerge como ferramenta auxiliar, mas a autenticidade humana, a ética na representação e o respaldo científico continuam sendo pilares para a confiança do consumidor e o futuro do mercado da beleza.
O que aconteceu
No epicentro da transformação digital do mercado da beleza, Loana Coelho, Chief Digital & Marketing Officer do Grupo L’Oréal no Brasil, tem uma visão clara: a jornada do consumidor mudou radicalmente, e os criadores de conteúdo são o novo epicentro de influência. Sua atuação foca em desvendar as complexidades dessa nova rota de consumo, onde a creator economy não é apenas uma tendência, mas um pilar estratégico.

Loana Coelho, chief digital & marketing officer do Grupo L’Oréal no Brasil (Crédito: Divulgação)
A trajetória de Loana, de geógrafa a executiva de marketing em e-commerce na Americanas e, agora, na L’Oréal, ressalta a importância de se adaptar e arriscar. Um dos legados mais marcantes de sua gestão é o programa Beleza Mais Diversa, lançado em 2024. A iniciativa nasceu de um desconforto da L’Oréal com a desproporção na representatividade: enquanto 56% da população brasileira se autodeclara negra, apenas 33% dos criadores de conteúdo de beleza no país são negros. O programa visa preencher essa lacuna, oferecendo formação, visibilidade e, mais recentemente, oportunidades de contratação direta para creators negros e, desde 2025, também para pessoas com deficiência, reforçando o compromisso da marca com a diversidade e a inclusão.
Ponto-chave
A verdadeira inovação no mercado da beleza digital reside na interseção entre a tecnologia e a inclusão, onde a voz autêntica de cada criador reflete a diversidade do consumidor brasileiro e impulsiona a conexão com as marcas.
Por que isso importa
A relevância dos criadores de conteúdo é inegável, especialmente no segmento da beleza. Dados indicam que 66% do público autodeclarado negro considera os creators como principal referência na busca por produtos. Isso reflete uma mudança fundamental na forma como as pessoas tomam decisões de compra: de um modelo vertical para uma jornada de busca complexa e dinâmica, onde a recomendação “peer-to-peer” – de alguém que se parece comigo e compartilha meus interesses – ganha peso significativo. Esse modelo, pautado na proximidade e na identificação, complementa outras fontes como sites de busca, inteligência artificial e especialistas, tornando-se um catalisador vital para a confiança do consumidor.
A L’Oréal entende que investir em criadores diversos é uma forma poderosa de ampliar o alcance de suas marcas, dando voz a diferentes realidades, culturas e perspectivas. Isso não só enriquece a percepção dos produtos, mas também fortalece a conexão emocional com públicos variados, que finalmente se veem representados. Em um mundo onde mais de 70% dos jovens aspiram a ser criadores de conteúdo, a criação de referências inspiradoras e acessíveis é um pilar estratégico para o engajamento e a sustentabilidade do mercado da beleza.
Impactos práticos
Para empresas
Empresas do setor de beleza precisam reavaliar suas estratégias de marketing, deslocando o foco para a construção de comunidades autênticas e parcerias com criadores diversos. A capacidade de integrar a creator economy de forma ética e representativa abre portas para novos mercados, fortalece o engajamento e impulsiona a lealdade da marca, exigindo decisões ágeis e investimentos em programas de formação e aceleração de talentos.
Para consumidores
O público final se beneficia de uma maior identificação com os produtos e conteúdos, acesso a informações mais relevantes e personalizadas, e uma experiência de compra mais rica e confiável. A voz do criador, percebida como mais próxima e autêntica, influencia diretamente a decisão de compra, gerando confiança e pertencimento.
Para o mercado
O mercado testemunha uma pressão crescente por maior representatividade e inclusão em todas as frentes, desde a publicidade até o desenvolvimento de produtos. A ascensão de novas vozes como autoridade redefine os modelos competitivos, regulatórios e tecnológicos, estimulando a inovação e a adaptação contínua às expectativas de um consumidor cada vez mais consciente e engajado com questões sociais.
O cenário daqui para frente
O futuro do mercado da beleza digital aponta para uma consolidação ainda maior da creator economy e sua formalização. Programas como o “Beleza Mais Diversa”, que evoluíram de formação para um modelo de seleção e contratação, indicam que as grandes marcas buscarão parcerias de longo prazo com criadores, reconhecendo seu papel como embaixadores autênticos. A autenticidade, aliás, será a moeda mais valiosa, em contraponto ao conteúdo excessivamente filtrado ou puramente gerado por inteligência artificial.
A inteligência artificial continuará a ser uma ferramenta poderosa, mas seu uso será cada vez mais regulado e ético. Na L’Oréal, por exemplo, a IA é vista como uma assistente, nunca como substituta do toque humano. A empresa reitera que não utiliza rostos gerados por IA em campanhas nem apresenta resultados não comprovados cientificamente. A capacidade de combinar a eficiência da IA com a criatividade, a ética e a genuinidade humana será a chave para construir conexões duradouras com os consumidores em um cenário digital em constante evolução.
O que observar agora
- **Investimento em Diversidade:** Acompanhe o investimento crescente de grandes marcas em programas de formação, aceleração e contratação de creators diversos, como um indicador de prioridade estratégica.
- **Parcerias de Longo Prazo:** Observe a movimentação de empresas para estabelecer parcerias mais profundas e duradouras com criadores de conteúdo, indo além de campanhas pontuais, solidificando a relação.
- **Autenticidade vs. IA:** Preste atenção à valorização da autenticidade e da prova social genuína por parte dos consumidores, em detrimento de conteúdo excessivamente artificial, filtrado ou gerado por IA sem a curadoria e validação humana.
Perguntas frequentes
Qual a importância da diversidade na creator economy de beleza?
A diversidade na creator economy de beleza é crucial para refletir a realidade da população, garantir que os produtos e mensagens cheguem a todos os públicos, e aumentar a identificação e a confiança dos consumidores, que buscam representatividade e autenticidade em quem os influencia.
Como os creators influenciam a decisão de compra de produtos de beleza atualmente?
Os criadores atuam como fontes de informação e inspiração “peer-to-peer”, gerando identificação e construindo comunidades. Eles se tornaram um dos pilares da jornada de compra multicanal, complementando buscas online, informações de IA e especialistas, oferecendo uma perspectiva mais próxima e autêntica.
Qual o papel da inteligência artificial no futuro do consumo de beleza?
A inteligência artificial (IA) será uma ferramenta auxiliar valiosa para personalização de conteúdo, recomendação de produtos e otimização de campanhas. No entanto, a autenticidade humana, a ética na representação e o respaldo científico continuarão sendo cruciais para a credibilidade e a confiança do consumidor, evitando conteúdos artificiais que não correspondam à realidade.

