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O Segredo de Cannes: Por Que Marcas Vencedoras Olham Para Fora e Priorizam a Cultura

O Segredo de Cannes: Por Que Marcas Vencedoras Olham Para Fora e Priorizam a Cultura


O Cannes Lions 2024 encerrou suas atividades destacando dois pilares cruciais para o sucesso das marcas na era digital: a consistência estratégica e o profundo pertencimento cultural. A lição final do festival, observada em Cannes no último dia do evento, enfatiza que o verdadeiro impacto e resultados extraordinários surgem quando gestores superam vieses internos e se conectam genuinamente com suas comunidades.

Atualizado em 03 de outubro de 2024 • Leitura estimada: 7 minutos

Resumo rápido

  • Marcas de sucesso evitam o isolamento estratégico, priorizando uma escuta ativa e uma conexão autêntica com as comunidades que servem.
  • A cocriação e ações culturalmente relevantes, como nos cases de Vaseline e Tecate, provam que autenticidade gera impacto financeiro e engajamento massivo.
  • O futuro exige que as empresas abandonem a superficialidade e incorporem a consistência cultural como um pilar central de suas estratégias de negócio e marketing.

O que aconteceu

No encerramento do prestigiado festival Cannes Lions, as discussões nas arenas e palcos convergiram para a imperatividade da consistência e do pertencimento cultural como forças motrizes para a relevância e o sucesso de qualquer marca. Em um ambiente de alta competitividade e constantes mudanças, a tendência de gestores focarem apenas em suas perspectivas internas, ignorando a dinâmica externa e a voz de seus consumidores, foi repetidamente apontada como um erro estratégico fundamental. Essa “visão de túnel” leva à criação de campanhas e produtos que não ressoam com a realidade das pessoas.

Para ilustrar a potência desses conceitos, o festival laureou dois exemplos notáveis com Leões de Ouro nas categorias Social & Creators e Brand Experience: a Vaseline e a Tecate. Ambos os cases demonstraram que ir além do óbvio e mergulhar na cultura é o caminho para o impacto real, provando que consistência e cultura não são meros jargões, mas sim catalisadores de resultados tangíveis e duradouros.

Vaseline Originals: A Co-propriedade Como Motor Cultural e Comercial

A Vaseline tem sido consistentemente reconhecida por sua abordagem inovadora de inclusão na cultura digital. Por anos, a comunidade online compartilhou organicamente milhões de truques de beleza utilizando o produto, criando um vasto repositório de conteúdo gerado por usuários. Contudo, a lógica da internet frequentemente privilegia a viralidade em detrimento da autoria, fazendo com que os criadores originais percam o crédito e o reconhecimento.

A Vaseline reverteu essa dinâmica. A marca dedicou esforços para localizar os criadores primários desses truques, alguns datando de 2008. Ao assegurar os direitos sobre essas criações, a Vaseline transformou os truques em produtos oficiais, estabelecendo uma parceria de ganho mútuo onde os criadores recebem uma porcentagem de cada venda. Essa iniciativa não apenas valorizou a comunidade, mas inseriu a marca na economia dos criadores através da co-propriedade, resultando em um crescimento de vendas de +466% em relação ao produto tradicional. Foi um movimento estratégico que validou o comportamento real de sua comunidade, mostrando uma consistência admirável.

Tecate “Welcome Back, Paisano”: Resposta Cultural com Impacto Social e de Negócio

A cerveja mexicana Tecate conquistou um Leão de Ouro ao enfrentar uma realidade social complexa e dolorosa: o repatriamento de milhares de cidadãos mexicanos dos EUA, que retornam ao país em busca de recomeço. Simultaneamente, a marca lidava com a escassez de mão de obra em sua rede de lojas de conveniência SIX.

Em vez de se limitar a um manifesto genérico sobre diversidade, a Tecate optou por uma ação estrutural e concreta. A marca criou uma plataforma para empregar esses cidadãos repatriados, oferecendo-lhes a oportunidade de gerenciar e reabrir lojas SIX. A Tecate acolheu uma das forças de trabalho mais resilientes do mundo com uma mensagem clara de “Bem-vindos de volta”. A iniciativa gerou um impacto colossal: 91% de sentimento positivo nas redes sociais e mais de 5 milhões de dólares em mídia espontânea. O insight da Tecate foi transformar um contexto cultural sensível e o retorno desses cidadãos em uma oportunidade real de negócio e um motivo de orgulho nacional, gerando uma disrupção de mercado com utilidade prática e um impacto social legítimo.

Ponto-chave

O sucesso duradouro de uma marca não reside na invenção de um propósito efêmero, mas na habilidade de escutar o mundo real, respeitar a cultura das comunidades e servir autenticamente as pessoas com consistência.

Por que isso importa

Em um cenário de mercado cada vez mais saturado de informações e exigente quanto à autenticidade, a capacidade de uma marca de se manter relevante e genuína é, sem dúvida, seu maior ativo. Os exemplos de Vaseline e Tecate, laureados em Cannes, ilustram perfeitamente como estratégias fundamentadas na consistência cultural e na co-propriedade não apenas geram engajamento profundo, mas também impulsionam resultados financeiros tangíveis. Isso é vital para qualquer empresa que almeja longevidade e diferenciação em um panorama de rápida transformação digital e crescente consciência dos consumidores. Ignorar a cultura e os anseios intrínsecos das comunidades é um risco que poucas marcas podem se permitir, pois leva à desconexão e à perda de relevância em um mundo hiperconectado.

Para o leitor, isso significa que a maneira como as marcas se posicionam e interagem está mudando radicalmente. A conexão autêntica com valores culturais e a participação ativa na vida das comunidades tornam-se imperativos. Empresas que compreendem essa dinâmica não apenas fortalecem sua imagem, mas também criam soluções mais alinhadas às necessidades reais, fomentando a inovação e a competitividade. É um alerta para gestores sobre a urgência de transcender vieses internos e adotar uma perspectiva externa, focada no humano e no cultural, para prosperar na economia atual.

Impactos práticos

Para empresas

Empresas precisam revisar suas estratégias de marketing e inovação, afastando-se de abordagens meramente promocionais. Oportunidades surgem ao adotar modelos de cocriação e co-propriedade, investindo em escuta social e em ações que resolvam problemas reais das comunidades, como fez a Tecate, ou valorizem o conteúdo gerado por usuários, como a Vaseline. Isso implica um compromisso de longo prazo com a consistência da mensagem e dos valores.

Para consumidores

O público final se beneficia com a oferta de produtos e serviços mais autênticos, relevantes e alinhados às suas identidades culturais e necessidades cotidianas. Há um aumento da confiança e da conveniência, pois as marcas passam a refletir mais fielmente seus desejos e comportamentos. Além disso, a co-propriedade empodera consumidores a serem parceiros ativos, não apenas receptores passivos.

Para o mercado

O mercado como um todo testemunha uma elevação nos padrões de engajamento e responsabilidade social. Há uma pressão crescente para que as marcas sejam não apenas rentáveis, mas também éticas, transparentes e profundamente sensíveis aos contextos culturais. Isso redefine a competitividade, valorizando empresas que conseguem integrar impacto social e valor de negócio de forma sinérgica, ditando novas tendências regulatórias e estratégicas.

O cenário daqui para frente

A era de campanhas publicitárias superficiais e desconectadas da realidade das pessoas está com os dias contados. O futuro do marketing e dos negócios exige um compromisso inabalável com a verdade e a relevância cultural. Observamos uma tendência clara em que marcas que investem em ouvir, compreender e cocriar com suas comunidades estarão à frente, construindo não apenas lealdade, mas verdadeiros advogados de marca orgânicos.

A transformação digital, embora potencialize a conexão, também expõe rapidamente a falta de autenticidade, tornando a consistência cultural um imperativo estratégico para a sobrevivência e o crescimento. Marcas precisarão se tornar “curadoras de cultura”, não apenas vendedoras de produtos, atuando como facilitadoras de movimentos e apoiadoras de comunidades. Espera-se que nos próximos meses vejamos mais exemplos de empresas que, em vez de inventar um propósito, o descubram nas interações reais com seu público, redefinindo assim as estratégias empresariais e o comportamento de consumo global.

O que observar agora

  • A ascensão de marcas que, em vez de apenas discursar, demonstram impacto social e cultural genuíno através de ações concretas e modelos de negócio inovadores.
  • O aumento na demanda dos consumidores por transparência, co-criação e uma participação mais ativa na construção de produtos e experiências.
  • A economia dos criadores e modelos de co-propriedade ganhando ainda mais força, forçando as empresas a repensar a relação de valor com seus ecossistemas digitais.

Perguntas frequentes

O que significa consistência cultural para marcas?

Consistência cultural é a prática de alinhar a identidade, os valores e as ações de uma marca com os comportamentos e aspirações genuínas de sua comunidade, evitando flutuações e modismos passageiros.

Como a co-propriedade impacta o sucesso das marcas?

Ao envolver criadores e consumidores no desenvolvimento de produtos e no compartilhamento de lucros, a co-propriedade gera autenticidade, engajamento profundo e resultados comerciais significativos, fortalecendo a lealdade à marca.

Qual o perigo de marcas olharem apenas para dentro?

Focar exclusivamente em vieses internos e métricas isoladas leva a estratégias desconectadas da realidade do consumidor, resultando em campanhas ineficazes, perda de engajamento e rápida obsolescência no mercado competitivo atual.

Este conteúdo foi produzido com auxílio de inteligência artificial e revisado editorialmente.

Fonte: Meio e Mensagem – Marketing, Mídia e Comunicação

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