Avós Executivas: Como a Liderança Sênior Ganha Novo Propósito e Impacto no C-Level
Em um cenário corporativo que constantemente busca novos modelos de liderança, um fenômeno discreto, mas poderoso, redefine o topo: executivas que se tornam avós. Longe do estereótipo tradicional, essas profissionais de alto calibre, ao abraçarem a avosidade, estão ressignificando seus papéis, infundindo na gestão elementos como paciência, empatia e uma visão de legado que vai muito além dos resultados financeiros. Este artigo explora como essa transição pessoal se traduz em um estilo de liderança mais humano e estratégico no ambiente de negócios brasileiro.
Atualizado em 26 de julho de 2024 • Leitura estimada: 8 minutos
Resumo rápido
- Líderes executivas de renome no Brasil estão redefinindo o papel da avó, integrando a avosidade à sua rotina profissional intensa.
- A experiência de se tornar avó está gerando uma transformação profunda na forma como essas mulheres lideram, priorizando empatia, escuta ativa e uma visão de legado que transcende gerações.
- Esse novo paradigma de liderança mais humana e consciente pode inspirar novas abordagens na gestão corporativa, valorizando a sabedoria e a conexão pessoal no ambiente de trabalho.
O que aconteceu
Tradicionalmente, a figura da avó evoca a imagem de uma matriarca de cabelos prateados, dedicada exclusivamente ao lar e à família. Contudo, essa percepção está sendo ativamente subvertida por um grupo crescente de mulheres brasileiras que, além de avós, são executivas de alta performance, comandando empresas e definindo tendências em setores como design, moda, finanças e saúde. Longe de se afastarem de suas carreiras, a chegada dos netos tem se revelado um catalisador para uma nova dimensão de suas vidas, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.
Neste contexto, figuras como Mariana Caram, fundadora da DEA Design; Denise Cassou, co-fundadora da Gallerist; Rita Almeida, líder do Lab Humanidades da AlmapBBDO; Neusa Silveira, fundadora da Kurotel; Liana Thomaz, fundadora da Água de Coco; Marília Prado, diretora comercial da Cielo; Riccy Souza Aranha, fundadora da Mixed; e Sandra Marques, fundadora do Grupo Capim Santo, compartilharam suas experiências. Elas revelam que a avosidade, embora em um papel distinto da maternidade, oferece uma oportunidade única de vivenciar o amor de forma mais leve e generosa. Essa fase da vida, geralmente marcada por menos pressões diárias, permite que essas líderes dediquem tempo de qualidade aos netos, forjando memórias e laços afetivos que, surpreendentemente, reverberam em suas abordagens de liderança. O que emerge é uma liderança pautada por uma escuta mais atenta, maior paciência e um propósito redefinido, características que não são ensinadas em MBAs, mas que florescem da riqueza da experiência de vida.
Ponto-chave
A avosidade para líderes executivas transcende o papel familiar, tornando-se uma poderosa lente para aprimorar a gestão corporativa com mais empatia, visão de legado e uma compreensão mais profunda do desenvolvimento humano.
Por que isso importa
A ascensão de avós executivas no cenário corporativo brasileiro não é meramente uma curiosidade biográfica; é um espelho das transformações sociais e um catalisador para novos paradigmas de liderança. Em um mercado cada vez mais complexo e impulsionado por valores, a capacidade de liderar com sensibilidade, propósito e uma visão de longo prazo torna-se um diferencial competitivo.
Para as empresas, a presença de líderes que vivenciam a avosidade pode significar a injeção de uma sabedoria e paciência inestimáveis. Elas trazem uma perspectiva que equilibra a busca incessante por resultados com o desenvolvimento humano e a construção de um legado duradouro. Isso se reflete em decisões mais ponderadas, culturas organizacionais mais acolhedoras e um foco genuíno no crescimento das equipes. A experiência da avosidade ensina a valorizar o tempo de outra forma, a priorizar a qualidade das interações e a entender que o sucesso não é apenas medido por metas atingidas, mas pela capacidade de inspirar e moldar futuros. Em um ambiente de transformação digital acelerada, onde a adaptabilidade e a inteligência emocional são cruciais, a liderança exercida por essas avós executivas se torna um ativo estratégico, conectando a inovação tecnológica com a essência humana dos negócios.
Impactos práticos
Para empresas
Empresas com líderes que abraçam a avosidade tendem a cultivar ambientes mais empáticos e focados no desenvolvimento de pessoas. A experiência de vida dessas executivas se traduz em uma maior compreensão das diferentes fases e desafios dos colaboradores, promovendo políticas de bem-estar e flexibilidade. Oportunidades surgem na construção de culturas mais inclusivas e na valorização da diversidade geracional, onde a experiência sênior e a perspectiva de longo prazo se mesclam com a energia e inovação das novas gerações. Decisões estratégicas podem se beneficiar de uma visão mais holística e menos imediatista, focada na sustentabilidade e no legado da organização.
Para consumidores
Embora o impacto para o público final não seja direto em termos de preço ou produto, ele se manifesta na experiência geral com as marcas. Empresas lideradas por executivas que priorizam a empatia e o propósito tendem a desenvolver produtos e serviços que ressoam mais profundamente com os valores dos consumidores. Há uma maior probabilidade de construir uma relação de confiança e autenticidade, já que a liderança reflete um compromisso com o cuidado e a conexão humana. Isso pode se traduzir em marcas com maior responsabilidade social e ambiental, que se comunicam de forma mais genuína com seu público.
Para o mercado
No panorama competitivo, a presença de avós executivas sinaliza uma evolução do conceito de liderança. O mercado começa a valorizar não apenas a agressividade e a busca por crescimento a qualquer custo, mas também a inteligência emocional, a capacidade de mentoria e a habilidade de construir relações duradouras. Isso pode impulsionar uma cultura corporativa mais humanizada, onde a retenção de talentos e o bem-estar dos colaboradores são vistos como pilares estratégicos. O impacto regulatório pode ser sutil, mas a discussão em torno de modelos de trabalho mais flexíveis e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganha força, incentivando políticas que reconheçam as diversas fases da vida profissional das mulheres.
O cenário daqui para frente
O papel da avó executiva sinaliza um caminho promissor para o futuro da liderança corporativa. À medida que as gerações Y e Z ascendem a posições de comando, a busca por um propósito maior e um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal se intensifica. As avós líderes, com sua perspectiva única, antecipam e fortalecem essas tendências.
Espera-se que vejamos uma valorização crescente da “liderança com sabedoria” – um estilo que combina a experiência acumulada de décadas de carreira com a serenidade e a visão de legado que a avosidade proporciona. Nos próximos meses e anos, a discussão sobre a longevidade da carreira e a contribuição de profissionais mais experientes deve ganhar ainda mais relevância. Conexões inteligentes podem ser feitas com a necessidade de inovação contínua, onde a criatividade das novas gerações é fertilizada pela estabilidade e pela capacidade de mentoria de líderes mais maduras. O consumo, por sua vez, reflete a busca por marcas que representem valores humanos e autenticidade, características que são inerentes à liderança que emana de uma experiência de vida tão rica. As estratégias empresariais precisarão se adaptar para abraçar modelos de gestão que permitam o florescimento de todas as fases da vida profissional, reconhecendo que a diversidade de experiências enriquece o ambiente e os resultados.
O que observar agora
- **Sinais de Mercado:** Observe a crescente demanda por programas de mentoria reversa e a valorização de conselhos consultivos com a participação de líderes seniores, especialmente mulheres, que possam trazer essa perspectiva de “legado” para a estratégia empresarial.
- **Movimentações Corporativas:** Fique atento a empresas que começam a publicizar e celebrar a diversidade geracional em suas equipes de alta gerência, reconhecendo o valor da experiência e da inteligência emocional trazida por líderes em fases mais avançadas da vida.
- **Tendência Emergente:** A tendência da “liderança empática e propositada” ganhará ainda mais força, solidificando-se como um diferencial competitivo e um pilar essencial para a cultura organizacional e a atração de talentos. Veremos mais discussões sobre como a vida pessoal enriquece e informa a vida profissional.

Mariana Caram, fundadora da DEA Design (Crédito: Divulgação)

Rita Almeida, head do Lab Humanidades da AlmapBBDO (Crédito: Camila Cara)

Liana Thomaz, fundadora da Água de Coco, e família (Crédito: Divulgação)

Marília Prado, diretora comercial da Cielo (Crédito: Divulgação)

Riccy Souza Aranha, fundadora da Mixed, e família (Crédito: Divulgação)

Denise Cassou, co-fundadora da Gallerist (Crédito: Divulgação)

Neusa Silveira, fundadora do Kurotel, e família (Crédito: Divulgação)

Sandra Marques, fundadora do Grupo Capim Santo (Crédito: Divulgação)
Perguntas frequentes
Como a avosidade influencia a liderança de executivas?
A avosidade insere uma dimensão de empatia, paciência e propósito na liderança. Executivas avós tendem a desenvolver uma escuta mais ativa, uma visão mais estratégica de legado e um maior foco no desenvolvimento humano e no bem-estar de suas equipes, equilibrando resultados com valores.
Quais os benefícios de ter avós executivas no ambiente corporativo?
As avós executivas trazem uma sabedoria e experiência inestimáveis, promovendo uma cultura organizacional mais acolhedora, inclusiva e focada no longo prazo. Elas inspiram a confiança, melhoram a retenção de talentos e incentivam uma liderança mais humanizada, que valoriza o potencial individual de cada colaborador.
O que as empresas podem aprender com a experiência das avós líderes?
Empresas podem aprender a valorizar a inteligência emocional e a experiência de vida como ativos estratégicos. A lição é focar na construção de legados duradouros, na promoção de uma liderança que inspira e acolhe, e na compreensão de que o sucesso empresarial se sustenta em um profundo cuidado com as pessoas.








