Feito Pipa: A Trajetória Surpreendente do Cinema Cearense Rumo ao Oscar
O filme “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e coproduzido pela Deberton Filmes e Biônica Filmes, foi oficialmente selecionado pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na cobiçada categoria de Melhor Filme Internacional na 99ª edição do Oscar. A notícia, que coroa uma jornada de sucesso em prestigiados festivais globais, marca o início de uma intensa campanha para levar uma história genuinamente cearense ao palco mais glamoroso de Hollywood.
Atualizado em 27 de maio de 2024 • Leitura estimada: 7 minutos
Resumo rápido
- “Feito Pipa” é o filme escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional de 2027.
- A obra já acumulou importantes prêmios e reconhecimentos em festivais internacionais, como o Urso de Cristal no Festival de Berlim e quatro Kikitos em Gramado.
- A campanha para o Oscar demanda esforço concentrado de toda a equipe e engajamento do público brasileiro para impulsionar o filme rumo à pré-lista e à indicação final.
O que aconteceu

Yuri Gomes em cena no filme Feito Pipa, escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para disputar vaga na categoria de Melhor Filme Internacional na 99ª edição do Oscar (Crédito: Reprodução/YouTube)
A Academia Brasileira de Cinema anunciou oficialmente que o longa-metragem “Feito Pipa”, sob a direção de Allan Deberton, será o representante nacional na disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A produção, resultado da colaboração entre a Deberton Filmes e a Biônica Filmes, destacou-se entre seis obras pré-selecionadas pela entidade, iniciando agora uma fase crucial de campanha internacional. Esta escolha não é um fato isolado, mas o ápice de uma trajetória vitoriosa que começou muito antes.
O filme já possui um histórico notável em grandes festivais. Sua estreia mundial aconteceu na 76ª edição do Festival de Berlim, um dos mais importantes do mundo, onde conquistou o prestigiado Urso de Cristal de Melhor Filme, conferido pelo Júri Jovem da mostra Generation Kplus, além do Grand Prix do Júri Internacional da mesma mostra. Subsequentemente, “Feito Pipa” foi aclamado em eventos como os festivais de Guadalajara, Cartagena e Gramado, onde foi agraciado com quatro troféus Kikitos, consolidando sua reputação e seu apelo junto à crítica e ao público especializado.
Allan Deberton, o diretor, expressou seu profundo orgulho e emoção com a seleção: “No interior onde nasci, quando criança, brincava de fazer cinema com uma câmera de papelão. Não consigo descrever este sentimento de estar, agora, carregando comigo e com uma equipe muito especial, um filme eleito para representar o nosso Brasilzão no Oscar”. Esta declaração sublinha a realização de um sonho e a dimensão do reconhecimento para o cinema cearense. Antes de “Feito Pipa”, Deberton já havia dirigido “Pacarrete” (2019), premiado com oito Kikitos, produzido o documentário “Transversais” (2022) e dirigido episódios da série “Uma Garota Comum” (2026) da Disney+, além do longa “O Melhor Amigo” (2025).
Karen Castanho, sócia da Biônica Filmes – produtora fundada em 2012 com Bianca Villar e Fernando Fraiha, com um portfólio de 21 longas e quatro séries, incluindo títulos como “Pedágio” (2023), “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa” (2024) e “A Melhor Mãe do Mundo” (2025) – reforçou a importância da indicação: “A indicação para representar o País é uma honra enorme e uma conquista maiúscula para nós. O que nos deixa muito orgulhosos nessa parceria é o fato de ser um filme genuinamente brasileiro, muito regional, mas, ao mesmo tempo, com sentimentos e dramaturgia universais.”
Filmado na cidade de Quixadá, no interior do Ceará, “Feito Pipa” narra a emocionante história de Gugu (interpretado por Yuri Gomes), um garoto de 12 anos com paixão por futebol, que vive sob os cuidados de sua avó, Dilma (Teca Pereira), uma professora aposentada que o cria com liberdade, afeto e estímulo à criatividade. A trama se adensa com a complexa relação de Gugu com seu pai, Batista (Lázaro Ramos), marcada por ausências e expectativas não ditas, intensificando-se quando Gugu se vê diante da possibilidade de morar com ele. Essa narrativa rica em regionalismo e emoção universal é a aposta do Brasil para o Oscar.
O filme já está em exibição diária em Juazeiro do Norte (CE) até o dia 23 e terá sua estreia oficial em circuito nacional em 5 de novembro, com distribuição pela Paris Filmes. No cenário internacional, “Feito Pipa” será lançado na Argentina e Colômbia, e contará com distribuição na Dinamarca, Bélgica, Indonésia, Holanda e Espanha, ampliando seu alcance global.
Ponto-chave
A ascensão de “Feito Pipa” demonstra a capacidade intrínseca do cinema regional brasileiro de transcender fronteiras, conectando-se a narrativas universais e conquistando reconhecimento nos mais prestigiosos palcos globais, validando a potência e originalidade de nossas produções.
Por que isso importa
A seleção de “Feito Pipa” para representar o Brasil no Oscar 2027 transcende o mero reconhecimento artístico; ela impulsiona a visibilidade do cinema nacional e da rica tapeçaria cultural brasileira no cenário global. Esta indicação reforça a credibilidade e a excelência das produções cinematográficas do país, abrindo portas e criando um precedente positivo para futuras obras brasileiras em mercados internacionais. É um testemunho do poder das histórias locais com ressonância universal, capazes de cativar audiências em todo o mundo. A trajetória de “Feito Pipa” valida a aposta em narrativas autênticas e regionalmente enraizadas como um diferencial competitivo.
Para o leitor, especialmente aqueles interessados em negócios, marketing e tecnologia, o sucesso de “Feito Pipa” sinaliza a crescente importância da economia criativa e do “soft power” cultural. Ele demonstra como a inovação na narrativa e a autenticidade podem gerar valor e reconhecimento em um mercado globalizado. A valorização de obras como esta impacta diretamente o comportamento de consumo cultural, a transformação digital na distribuição e o fortalecimento da competitividade da indústria audiovisual nacional. É um exemplo claro de como a arte e a cultura podem se tornar poderosos motores de branding e engajamento para uma nação.
Impactos práticos
Para empresas
Empresas do setor audiovisual, bem como investidores e marcas, podem identificar novas oportunidades em coproduções internacionais e em projetos que valorizem narrativas regionais autênticas. O reconhecimento global de “Feito Pipa” pode atrair capital estrangeiro e impulsionar o marketing cultural, abrindo caminho para a exploração de novos talentos e mercados.
Para consumidores
O público final se beneficia do acesso a produções de alta qualidade, que oferecem diversidade cultural e narrativas profundas. O sucesso do filme reforça a identidade nacional e pode inspirar um maior interesse pelo cinema brasileiro, impactando positivamente a experiência e o comportamento de consumo cultural.
Para o mercado
A indicação fortalece a indústria cinematográfica nacional, estabelecendo novos padrões de excelência e competitividade. Pode incentivar políticas públicas de fomento ao audiovisual, além de gerar um impacto estratégico ao posicionar o Brasil como um player relevante no cenário global de produção e distribuição de conteúdo.
O cenário daqui para frente
A jornada de “Feito Pipa” rumo ao Oscar está apenas começando. A equipe de produção já se mobiliza na captação de recursos e na estruturação de uma intensa campanha de divulgação, essencial para atrair a atenção dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. As próximas etapas incluem o anúncio da pré-lista em 15 de dezembro e, posteriormente, a revelação dos indicados oficiais em 21 de janeiro. A cerimônia da 99ª edição do Oscar, onde o filme brasileiro espera estar presente, está agendada para 14 de março de 2027, no icônico Dolby Theatre, em Los Angeles.
Karen Castanho enfatiza que a presença e o engajamento dos brasileiros nas salas de cinema e nas redes sociais serão fatores cruciais para impulsionar a candidatura do filme. Ela destaca que a Academia Americana tem observado de perto o cinema brasileiro, citando o caminho aberto por produções anteriores como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. O apoio e a mobilização do público são vistos como um diferencial capaz de fazer com que a história de Gugu e Dilma, nascida no Ceará, ressoe ainda mais forte e longe, mostrando a paixão do Brasil pela sua arte e sua capacidade de inspirar o mundo.
O que observar agora
- O desempenho de bilheteria de “Feito Pipa” no Brasil após sua estreia oficial em 5 de novembro, um indicador chave do engajamento do público.
- As estratégias de marketing e relações públicas adotadas pela Deberton Filmes e Biônica Filmes para a campanha do Oscar, buscando maximizar a visibilidade internacional.
- A crescente tendência de valorização de histórias autênticas e regionalmente enraizadas no cenário cinematográfico global, impulsionada pelo sucesso de filmes como “Feito Pipa”.
Perguntas frequentes
O que é o filme “Feito Pipa”?
“Feito Pipa” é um drama cearense dirigido por Allan Deberton, escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027. O filme narra a vida de Gugu, um garoto de 12 anos e sua relação com a avó e o pai, abordando temas universais em um contexto regional.
Por que a escolha de “Feito Pipa” é importante para o cinema brasileiro?
A seleção de “Feito Pipa” eleva a visibilidade e o prestígio do cinema nacional no cenário global, validando a qualidade de produções regionais e abrindo novas portas para talentos e histórias brasileiras em escala internacional.
Como o público pode apoiar a campanha de “Feito Pipa” para o Oscar?
Assistir ao filme nos cinemas, quando disponível, e engajar-se ativamente nas redes sociais são ações cruciais. O apoio do público ajuda a criar um movimento de visibilidade que pode ser decisivo para a campanha do filme no Oscar.



