Jovens e Trabalho: A Realidade Inédita que Redefine o Futuro Profissional do Brasil
A Fundação Itaú, em colaboração com Datafolha e Instituto Locomotiva, revelou o estudo “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, um panorama abrangente sobre a relação dos jovens brasileiros (16 a 29 anos) com o mercado. Realizada em maio de 2026, a pesquisa mostra que sete em cada dez jovens estão inseridos profissionalmente, mas enfrentam desafios persistentes como informalidade e desigualdades estruturais, ao mesmo tempo em que redefinem suas aspirações por autonomia e flexibilidade.
Atualizado em 20 de maio de 2024 • Leitura estimada: 6 minutos
Resumo rápido
- Sete em cada dez jovens brasileiros de 16 a 29 anos declaram estar trabalhando, com uma parcela significativa conciliando trabalho e estudos ou atuando na informalidade.
- A pesquisa destaca como desigualdades de raça, gênero e classe social impactam profundamente o acesso ao trabalho e as oportunidades profissionais para a juventude.
- Há uma nítida mudança nas aspirações futuras, com os jovens mostrando uma crescente preferência por trabalhos autônomos em detrimento do emprego formal tradicional nos próximos cinco anos.
O que aconteceu
A Fundação Itaú, em parceria com o Datafolha e o Instituto Locomotiva, divulgou em maio de 2026 o estudo “Juventudes e o Mundo do Trabalho”. Esta pesquisa aprofundada ouviu mais de 1.800 jovens brasileiros com idades entre 16 e 29 anos, buscando entender a percepção e os significados atribuídos ao trabalho na sociedade contemporânea. O levantamento revelou que a maioria, cerca de 70% dos jovens, está inserida no mercado de trabalho de alguma forma. Destes, 32% conseguem conciliar suas atividades profissionais com os estudos, 39% dedicam-se exclusivamente ao trabalho e 16% optam apenas pelos estudos. Um grupo de 13% se enquadra na categoria de jovens que não estudam nem trabalham.
A relevância deste estudo reside em sua abordagem multifacetada, que incluiu uma etapa qualitativa para mapear as complexas intersecções de raça, gênero e outras questões estruturais na trajetória profissional da juventude. Historicamente, o Brasil enfrenta desafios significativos na inclusão produtiva dos jovens, e a pesquisa atualiza esse cenário ao detalhar como as desigualdades persistem e moldam diferentes realidades. Por exemplo, a proporção de jovens que apenas trabalham varia consideravelmente por classe social (28% na classe A/B contra 47% na D/E) e por região, com o Centro-Oeste apresentando o maior índice de dedicação exclusiva ao trabalho (51%).

Cerca de um em cada três jovens (32%) concilia trabalho e os estudos (Crédito: Seventyfour-AdobeStock)
Ponto-chave
A nova realidade do mercado de trabalho para a juventude brasileira é marcada por uma tensão entre a necessidade imediata de ocupação, a persistência da informalidade e uma crescente busca por autonomia e propósito, redefinindo o modelo tradicional de carreira.
Por que isso importa
Os resultados do estudo são cruciais para entender as dinâmicas atuais e futuras do mercado de trabalho brasileiro. A alta taxa de informalidade (apenas 44% dos jovens trabalhadores têm carteira assinada), aliada à disparidade de acesso por raça, gênero e escolaridade, evidencia a fragilidade de muitos vínculos empregatícios e a necessidade urgente de políticas públicas e iniciativas privadas que promovam a formalização e a qualificação. Além disso, a pesquisa revela um cenário de grande vulnerabilidade para as mulheres jovens e mães, que representam a maior parcela dos que não estudam nem trabalham (17% do grupo de NEETs são mulheres, e 29% têm filhos), e sobrecarregam-se com o cuidado doméstico.
O leitor, seja ele um empresário, gestor de RH, profissional de marketing ou formulador de políticas, deve prestar atenção a essa pesquisa porque ela aponta para uma transformação nas prioridades da nova geração. A busca por autonomia, flexibilidade e um ambiente de trabalho menos estressante, mesmo que isso signifique abrir mão de um salário mais alto, desafia os modelos tradicionais de gestão e atração de talentos. Compreender essas aspirações é fundamental para empresas que desejam atrair e reter jovens talentos, para instituições de ensino que precisam adaptar seus currículos e para o desenvolvimento de estratégias de comunicação e marketing que ressoem com os valores dessa demografia vital.
Impactos práticos
Para empresas
Empresas precisam revisar suas estratégias de recrutamento, retenção e cultura organizacional. A alta rotatividade voluntária (69% dos jovens já deixaram um emprego por vontade própria, muitas vezes por falta de respeito ou excesso de pressão) indica a necessidade de investir em liderança empática, flexibilidade de jornada e desenvolvimento de carreira. O crescimento do desejo por autonomia também sugere a abertura a modelos de trabalho híbridos, remotos e contratação de freelancers.
Para consumidores
A crescente informalidade entre os jovens pode gerar instabilidade de renda e, consequentemente, impactar padrões de consumo e poder de compra. Por outro lado, o desejo por autonomia e empreendedorismo pode fomentar o surgimento de novos serviços e produtos inovadores. Consumidores jovens, que priorizam ambientes de trabalho saudáveis, provavelmente buscarão marcas e empregadores alinhados a esses valores, influenciando decisões de compra e reputação corporativa.
Para o mercado
O mercado como um todo enfrentará a pressão por maior formalização e qualificação da mão de obra jovem. O receio com a automação e as transformações tecnológicas (50% dos entrevistados) aponta para a urgência de programas de requalificação. O descompasso entre a busca por um emprego formal no presente (30%) e a projeção para um trabalho autônomo no futuro (42%) indica uma reconfiguração nas prioridades de carreira, que pode impulsionar o setor de serviços e o empreendedorismo, mas também exigir novas formas de proteção social e regulamentação.
O cenário daqui para frente
Nos próximos meses e anos, espera-se que a busca por flexibilidade e autonomia continue a moldar as escolhas profissionais dos jovens brasileiros. A tendência de crescimento do trabalho autônomo, freelancers e empreendedorismo deve se consolidar, com os modelos tradicionais de emprego formal perdendo parte de sua atratividade. As empresas precisarão se adaptar a essa realidade, oferecendo não apenas salários competitivos, mas também ambientes de trabalho que valorizem o bem-estar, o desenvolvimento pessoal e a flexibilidade.
Conexões inteligentes com o comportamento de mercado sugerem que as plataformas digitais de trabalho e os ecossistemas de inovação ganharão ainda mais força, conectando talentos a oportunidades flexíveis. A transformação digital e a inteligência artificial, embora gerem receios, também abrirão novas frentes de trabalho, especialmente em áreas como saúde e tecnologia – que já despertam grande interesse da juventude. A competitividade do mercado será ditada pela capacidade das organizações de entenderem e atenderem às novas expectativas dessa geração, que busca propósito e equilíbrio além da remuneração básica.
O que observar agora
- **Aceleração da gig economy:** Monitore o crescimento de plataformas e modelos de trabalho que fomentam a atuação autônoma e flexível, especialmente em centros urbanos.
- **Reações corporativas:** Observe como grandes empresas e startups adaptam suas políticas de RH, benefícios e cultura para atrair e reter a geração que valoriza mais o propósito e menos a pressão.
- **Desenvolvimento de habilidades digitais:** Acompanhe a demanda e a oferta de cursos e programas de qualificação em tecnologia e saúde, áreas de alto interesse para os jovens e com potencial de crescimento.
Perguntas frequentes
Qual a principal dificuldade dos jovens brasileiros para encontrar trabalho?
A pesquisa aponta a falta de experiência como a maior barreira para os jovens na busca por trabalho, seguida pela preocupação com a concorrência e a dificuldade de deslocamento.
Por que os jovens estão preferindo trabalhos autônomos ao emprego formal?
A preferência por autonomia cresce de 28% para 42% em uma projeção de cinco anos, refletindo um desejo por maior flexibilidade, menos pressão e um ambiente de trabalho que ofereça mais qualidade de vida, mesmo que isso signifique abrir mão do emprego com carteira assinada.
Como a tecnologia afeta a percepção dos jovens sobre o futuro do trabalho?
Metade dos entrevistados demonstra receio de perder oportunidades de trabalho devido às transformações tecnológicas, evidenciando a necessidade de adaptação e requalificação para novas demandas do mercado impulsionadas pela inovação.





