Kantar BrandZ 2026: Entenda Por Que Marcas Promissoras Lutam para Entrar no Top 50 Brasileiro
O ranking Kantar BrandZ 2026 revelou que, embora as 50 marcas mais valiosas do Brasil tenham alcançado um crescimento impressionante de 22%, somando US$ 101,1 bilhões em valor de marca, um número significativo de empresas promissoras ainda enfrenta barreiras para integrar essa elite. A dificuldade em navegar em um mercado cada vez mais fragmentado e aprimorar a conexão com o consumidor são apontadas como desafios cruciais, impactando 40% das marcas nacionais, superando a média global.
Atualizado em 24 de julho de 2024 • Leitura estimada: 7 minutos
Resumo rápido
- Apesar do crescimento robusto das 50 marcas mais valiosas do Brasil, a alta competitividade e a fragmentação do mercado dificultam a entrada de novas marcas no ranking Kantar BrandZ.
- Empresas fora do Top 50 precisam reavaliar suas estratégias de conexão com o consumidor e diferenciação para conquistar escala e relevância em um cenário desafiador.
- Marcas que investirem em posicionamento autêntico, sustentabilidade e inovação, alinhadas às expectativas de novos comportamentos de consumo, estarão mais preparadas para o futuro.
O que aconteceu
A recente edição do relatório Kantar BrandZ 2026, um dos estudos mais respeitados sobre valor de marca globalmente, trouxe dados animadores para o mercado brasileiro, mas também acendeu um alerta. As 50 marcas mais valiosas do país registraram um expressivo aumento de 22% em seu valor, atingindo um montante combinado de US$ 101,1 bilhões. Nomes como Itaú, Nubank e Claro lideram a lista, enquanto C6 Bank, Schin e Consul fecham as últimas posições, demonstrando a diversidade e a força das empresas que compõem o topo.

Kantar BrandZ não tem ranking para além das 50 mais valiosas, mas estabelece métricas e critérios que impulsionam crescimento dos negócios (Crédito: OleCNX – stock.adobe.com)
Essa ascensão reforça o trabalho contínuo de gigantes já estabelecidos, que investem em solidez e na construção de laços autênticos com seus públicos. No entanto, o CEO da Kantar no Brasil, Martin Cena, destaca que a régua para entrar no ranking sobe anualmente. Isso significa que muitas marcas, embora com estratégias sólidas e bom valor intrínseco, enfrentam um ambiente de concorrência acirrada. O desafio é ainda maior para as que buscam ascender à elite, pois o dinamismo e a capacidade de adaptação se tornaram imperativos em um cenário de mercado em constante mutação. As novas entrantes — iFood, Inter, Stone, Vivara, Mateus e Smart Fit — exemplificam o êxito em readequar seus modelos de negócios diante de um cenário de fragmentação.
Ponto-chave
O verdadeiro desafio das marcas brasileiras não está apenas em gerar valor, mas em decifrar a complexidade de um mercado fragmentado e forjar conexões significativas que as impulsionem à escala necessária para o reconhecimento e a ascensão nos rankings de valor.
Por que isso importa
A dificuldade de novas marcas em penetrar o cobiçado Top 50 do Kantar BrandZ revela uma dinâmica de mercado crucial: não basta ser bom, é preciso ser percebido como diferenciado e relevante em meio a um ruído crescente. Para empresas e investidores, isso significa que estratégias de branding precisam ir além do marketing tradicional, focando na construção de um equity de marca robusto, capaz de gerar demanda e poder de precificação. A inabilidade de se conectar de forma efetiva com os consumidores, identificada em 40% das marcas brasileiras (dez pontos percentuais acima da média global), representa um risco significativo de estagnação e perda de oportunidades.
Para o leitor, compreender essa complexidade é vital. Vivemos em um ecossistema digital onde o comportamento de consumo é volátil e as expectativas são altas. Marcas que não conseguem ‘navegar’ nessa fragmentação correm o risco de se tornarem irrelevantes. Isso impacta a competitividade geral do mercado, a velocidade da transformação digital e a capacidade de inovação. A lição é clara: a longevidade e o sucesso no cenário atual dependem não só da qualidade do produto ou serviço, mas da maestria em comunicação, diferenciação e, principalmente, em como a marca ressoa com seu público em todos os pontos de contato.
Impactos práticos
Para empresas
Empresas fora do ranking precisam urgentemente reavaliar suas estratégias de comunicação e posicionamento. A adaptabilidade de modelos de negócios, como fizeram as novas entrantes (iFood, Inter, Stone, Vivara, Mateus e Smart Fit), é fundamental. O foco deve ser em entender profundamente as nuances do consumidor fragmentado, investir em canais digitais e pontos de venda que realmente gerem conexão, e buscar diferenciais que justifiquem um valor percebido superior.
Para consumidores
Para o público final, essa dinâmica se traduz em mais opções e maior exigência. Consumidores se beneficiam da busca das marcas por diferenciação e conexão, podendo esperar produtos mais alinhados às suas necessidades, experiências mais personalizadas e valores de marca mais transparentes. No entanto, a proliferação de escolhas pode também gerar ‘fadiga de decisão’, elevando a importância da saliência e do fácil reconhecimento de marcas realmente relevantes.
Para o mercado
O mercado em si se torna mais dinâmico e exigente. A alta competitividade impulsiona a inovação e força as empresas a aprimorarem suas práticas de gestão de marca. Setores que conseguem se adaptar rapidamente, como o financeiro, demonstram resiliência e capacidade de crescimento. Haverá uma pressão maior sobre a regulamentação para garantir a concorrência justa e sobre a tecnologia para oferecer ferramentas que ajudem as marcas a entender e se engajar com seus públicos de maneira mais eficiente.
O cenário daqui para frente
Os próximos meses e anos serão decisivos para as marcas brasileiras que almejam não apenas sobreviver, mas prosperar. A tendência é que a régua de entrada no ranking das mais valiosas continue subindo, exigindo das empresas um foco ainda maior em inovação e na construção de um ‘brand equity’ robusto. Marcas que demonstram alto potencial, como Farm Rio, Dengo, Insider e Salon Line, servem de inspiração ao focar em diferenciação significativa, propósito claro, sustentabilidade e uso inteligente de plataformas digitais para engajamento. A capacidade de readequar modelos de negócios em um ambiente de fragmentação será o principal motor de crescimento.
O comportamento de mercado aponta para um cenário onde a autenticidade e a relevância cultural serão cada vez mais valorizadas. A transformação digital continuará a ditar o ritmo, com a necessidade de as empresas dominarem a personalização em escala e a experiência omnicanal. Estratégias empresariais precisarão integrar a responsabilidade social e ambiental como pilares, não apenas como diferenciais, pois o consumidor moderno busca marcas que refletem seus próprios valores. A inovação não será apenas em produto, mas em modelo de negócio e na forma como a marca se relaciona com a sociedade.
O que observar agora
- Acompanhe de perto as estratégias de marcas emergentes que conseguem criar uma forte identidade e diferenciação em nichos específicos, mostrando caminhos inovadores para escalar.
- Observe como empresas líderes estão adaptando suas mensagens e canais de comunicação para engajar com as novas gerações, que demandam mais transparência e propósito.
- A crescente valorização de marcas com certificações de sustentabilidade (como a B Corp da Farm Rio) e com cadeias de produção transparentes, mostrando que o consumo consciente ganhará ainda mais força.
Perguntas frequentes
Qual é o principal desafio para marcas brasileiras que buscam entrar no Top 50 da Kantar BrandZ?
O maior desafio reside na alta competitividade do mercado e na dificuldade de muitas marcas em se conectar efetivamente com um consumidor cada vez mais fragmentado, o que exige diferenciação e saliência.
Como a metodologia MDS da Kantar BrandZ avalia o valor de uma marca?
A metodologia Meaningful Different and Salient (MDS) avalia as marcas com base em quão significativas, diferentes da concorrência e facilmente lembradas elas são para os consumidores, determinando seu poder de demanda e precificação.
Que lições as marcas fora do Top 50 podem aprender com os exemplos citados?
Marcas como Farm Rio, Dengo, Insider e Salon Line demonstram que focar em um diferencial claro, autenticidade, propósito e uma forte conexão com o público-alvo, mesmo sem escala imediata, é crucial para o crescimento futuro.



